CIRURGIA CRÂNIOMAXILOFACIAL

A Cirurgia Craniomaxilofacial é uma área extensa, que permite a intersecção dos conhecimentos adquiridos tanto na Cirurgia Plástica, como na Odontologia. Essa área, de intervenção no esqueleto da face humana, tem o objetivo de melhorar a simetria e harmonia facial dos pacientes, bem como proporcionar melhor mordida e dentição. Pacientes de todas as idades podem vir a precisar desses procedimentos.

Dentro desse campo temos quatro grupos de atuação principais: Cirurgia Ortognática, Traumas de Face, Fissuras Labiopalatinas e Anomalias Faciais Congênitas.

Clique nos botões abaixo para saber mais sobre cada um deles: 

CIRURGIA ORTOGNÁTICA

A cirurgia ortognática é o tratamento para pacientes que possuem deformidades envolvendo os dentes e o esqueleto da face. Quando não é possível resolver o caso somente com o tratamento ortodôntico faz-se necessária a cirurgia ortognática. Essas deformidades podem ter origem devido a Síndromes e Anomalias Específicas, genética, distúrbios de crescimento após o nascimento, trauma na face, problemas musculares e hormonais.

Entre as alterações principais para indicação da cirurgia, encontramos: alterações na mordida (disoclusão), relação desproporcional entre ossos da maxila e mandíbula (aparência facial desarmônica), dificuldades na mastigação e deglutição, incapacidade  de fechar os lábios sem esforço muscular, respiração oral crônica ou apnéia obstrutiva do sono, dores de cabeça crônicas por distúrbios na ATM (articulação têmporo-mandibular) e desvios e retrações/protrusões do queixo. 

O diagnóstico e o planejamento da cirurgia são realizados minuciosamente antes da cirurgia por meio de modelos de estudo montados em articulador, radiografias e traçados cefalométricos. O planejamento, dependendo do caso, leva muito mais tempo do que a própria operação, pois o paciente deve cumprir algumas etapas de preparo, como o tratamento ortodôntico, que pode levar de 18 a 24 meses antes da cirurgia para deixar os dentes em uma posição adequada. A cirurgia é realizada através da cavidade oral, não deixando cicatriz na face. O esqueleto é fixado com mini-placas e parafusos de titânio.  

Dentre os benefícios da cirurgia ortognática estão aqueles que se relacionam a uma melhor relação entre os dentes, músculos e esqueleto: melhora na mordida/mastigação, posicionamento da língua, posicionamento da ATM (articulação têmporo-mandibular), melhora na respiração, fala e articulação de palavras. Além disso, esses benefícios somados ao ganho estético na face do paciente levam a uma melhoria significativa no relacionamento social.

 

TRAUMAS DA FACE

Os traumas de face são ocorrências frequentes e ocorrem em todas as idades e nas mais diversas situações. Esses variam de leves, que necessitam de cuidados básicos, a graves, que apresentam fraturas de face complexas e precisam de internação hospitalar para procedimentos cirúrgicos. 

Quando o paciente apresenta um trauma de face, esse pode acometer estruturas faciais (pele, músculos, nervos, vasos sanguíneos e ossos da face e crânio) e também bucais (dentes, gengiva, língua, vasos sanguíneos e nervos da boca). O cirurgião craniomaxilofacial está treinado para atender integralmente essa demanda de pacientes, muitas vezes sendo solicitado o atendimento nas salas de emergências e pronto-socorros dos hospitais.

Em relação aos sintomas, são variáveis para cada tipo de ferimento, mas podem surgir: dor, sangramentos, dormência do queixo, lábios, língua, gengiva, dentes, bochechas, nariz e testa, dificuldades em movimentar a mandíbula (abrir e fechar a boca), alterações na mordida, além de cortes, hematomas, equimoses e inchaço. O paciente pode ter alterações visuais também, como por exemplo, a visão dupla (diplopia).

Após o atendimento inicial e estabilização da vida do paciente pela equipe da emergência, o cirurgião plástico craniomaxilofacial é chamado para a avaliação e solicitação de exames complementares, como, por exemplo, uma radiografia ou tomografia de face. Esses e outros exames ajudam o cirurgião no diagnóstico e no planejamento da cirurgia de reparação.

Sempre que você se envolver em algum acidente, por menor que seja, se estiver com qualquer sintoma, entre em contato com seu cirurgião craniomaxilofacial para uma avaliação. 

 

 

FISSURAS LABIOPALATINAS

A palavra “fissura” tem origem no latim e significa fenda, abertura. As fissuras labiopalatinas são os defeitos congênitos mais comuns entre as malformações que afetam a face do ser humano, atingindo uma criança a cada 650 nascidas, de acordo com a literatura especializada.  

 

Tanto o lábio como o palato (“céu da boca”) são formados por estruturas que, nas primeiras semanas de vida, estão separadas. Estas estruturas devem se unir para que ocorra a formação normal da face. As fissuras labiopalatinas são defeitos de “não fusão” de estruturas embrionárias e são estabelecidas no período embrionário (até a 12a. semana de gestação). Além disso, apresentam diversas apresentações clínicas pela variabilidade na amplitude e pelas estruturas afetadas no rosto. São classificadas basicamente em 4 tipos principais: 1) fissuras pré-forame incisivo, 2) fissuras transforame incisivo, 3) fissuras pós-forame incisivo e 4) fissuras submucosas.

 

Hoje é possível identificar a ocorrência de fissura por exames de imagens no período pré-natal. As causas para a ocorrência da fissura podem ser genéticos e ambientais. Os fatores ambientais mais conhecidos são: bebida alcoólica, cigarros e alguns medicamentos (como corticóides e anticonvulsivantes), principalmente quando utilizados no primeiro trimestre da gestação. A ação destes fatores ambientais depende de uma predisposição genética do embrião (interação gene versus ambiente). 

 

O tratamento dessas crianças é de período longo (até a idade adulta) e muito individualizado para cada caso. O protocolo de tratamento prevê intervenções em determinadas idades, respeitando o crescimento facial do indivíduo e sua maturidade fisiológica. Esse acompanhamento e tratamento visam a reabilitação do paciente para um crescimento ósseo adequado e face estética e harmonica. A criança deve ser acompanhada por equipe multidisciplinar, composta por profissionais da cirurgia craniomaxilofacial, cirurgia plástica, otorrinolaringologia, fonoaudiologia e odontologia, além de um profissional de genética. 

 

ANOMALIAS FACIAIS CONG​ÊNITAS

As anomalias congênitas afetam cerca de 5% dos nascidos vivos em todo mundo. Possui incidência mais discreta em países desenvolvidos porém, nos países em desenvolvimento da América Latina, esses índices variam em torno de 10-25% de internações hospitalares pediátricas. Anomalias craniofaciais e musculoesqueléticas são comuns em crianças. Essas anomalias podem envolver somente um único local específico (p. ex., lábio leporino, fenda palatina, pé torto congênito) ou ser parte de uma síndrome de anomalias congênitas múltiplas (p. ex., síndrome velocardiofacial, síndrome de Treacher Collins). Avaliação clínica cuidadosa pode ser necessária para distinguir uma anormalidade isolada de uma síndrome com manifestações atípicas ou leves. Nos anos mais recentes, os avanços proporcionados pela pesquisa na área do genoma humano, têm possibilitado o reconhecimento do componente genético de muitas doenças comuns, promovendo o surgimento de um novo paradigma: a medicina genômica como conhecimento aplicado aos cuidados á saúde. Na área dos defeitos congênitos, entre os quais as anomalias craniofaciais, esses novos conhecimentos poderão possibilitar a compreensão mais ampla da etiologia e fisiopatologia dessas condições e, por conseguinte, a realização de diagnósticos mais precisos e precoces, bem como o desenvolvimento de terapias mais adequadas e de métodos de prevenção mais efetivos, como o uso de ácido fólico periconcepcional para prevenção de defeitos de fechamento do tubo neural. O tratamento de portadores de anomalias craniofaciais é complexo e demanda muito tempo, pois requer acompanhamento de longo prazo, por equipe multiprofissional e emprego de alta tecnologia. Todavia, o ônus do não tratamento é ainda maior e se estende da esfera biológica à inserção social desses indivíduos.

 

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